O maior indicativo de que estamos ficando mais experientes é o número de frases que seus pais repetem insistentemente e que vão ganhando sentindo ao longo dos anos.
Meu pai é, acima de tudo, um ótimo conselheiro. Já criou um blog, que ainda não emplacou, para dividir as suas dicas com o público em geral. E acredite: ele tem autoridade para falar e palpitar em qualquer assunto. Todas as noites na minha casa, enquanto assistíamos ao Jornal Nacional, recebíamos também lições de como aplicar o FIFO (first in first out) na nossa geladeira, da importância de usarmos bem as roupas e assim diluir o custo fixo de aquisição, de como aplicar o 5S em nosso quarto e de como identificar a mala de viagem corretamente e encontrá-la em caso de extravio.
Algumas lições acabei absorvendo por osmose. Outras pela repetição. O que mais me fascina é quando aprendo porque a vida me oferece situações para provar que os conselhos de meu pai estão certos.
Uma das maiores dores no coração que tenho atualmente é que, como estou trabalhando fora, nosso convívio agora está restrito aos finais de semana, dois dias em que ele brinca de ser pai em tempo integral. Como estão as duas finanças, Camila? Você precisa arrumar o seu quarto. E uma coisa que não vai nunca, nunca mesmo entrar na minha cabeça: Não ande descalça para não ficar doente. Por conta desta frase escutada incontáveis vezes, eu já bolei toda uma teoria mental de como é importante para mim andar com os pés no chão, receber a energia do solo e sentir (mesmo que de meia) aonde eu estou pisando.
Cerca de cinco anos atrás compramos um sítio no interior de Minas Gerais. Todas as vezes em que ele pega eu ou o meu irmão planejando viagens para a praia (ou para a lua) ele nos diz: Gente, Gonçalves já está lá, custou dinheiro, vamos fazer valer e aproveitar cada pedacinho.
Foi apenas ontem a noite que finalmente caiu a ficha em mim e entendi da pior maneira possível, sentindo na pele, o que meu pai queria dizer. O sonho de morar sozinha e ter o meu canto lindamente decorado com a minha cara se mostrou uma realidade um pouco mais distante quando eu comparei o custo de aluguel com o valor do meu salário. O resultado é o dinheiro acabando mais cedo do que o mês com muita frequencia.
Ontem a noite fui ao shoping comprar um sofá, como estava muito caro comecei a olhar uma poltrona. Ainda sim o valor estava alto demais. Resolvi que iria apenas arrumar o cabelo. O que?? Quatrocentos reais para fazer uma hidratação de queratina? Paguei o estacionamento do shoping e fui pra casa fazer valer o valor do aluguel. Pelo menos esse já estava pago, e eu precisava. Assim como meu pai ensinou.
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Ps.: Eu e meu irmão ainda esperamos pacientemente pelo momento em que o “aguarde quando vocês forem pais vocês vão entender” irá fazer sentido em nossas vidas.










