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Era uma casa muito engraçada

29 ago

O maior indicativo de que estamos ficando mais experientes é o número de frases que seus pais repetem insistentemente e que vão ganhando sentindo ao longo dos anos.

Meu pai é, acima de tudo, um ótimo conselheiro. Já criou um blog, que ainda não emplacou, para dividir as suas dicas com o público em geral. E acredite: ele tem autoridade para falar e palpitar em qualquer assunto. Todas as noites na minha casa, enquanto assistíamos ao Jornal Nacional, recebíamos também lições de como aplicar o FIFO (first in first out) na nossa geladeira, da importância de usarmos bem as roupas e assim diluir o custo fixo de aquisição, de como aplicar o 5S em nosso quarto e de como identificar a mala de viagem corretamente e encontrá-la em caso de extravio.

Algumas lições acabei absorvendo por osmose. Outras pela repetição. O que mais me fascina é quando aprendo porque a vida me oferece situações para provar que os conselhos de meu pai estão certos.

Uma das maiores dores no coração que tenho atualmente é que, como estou trabalhando fora, nosso convívio agora está restrito aos finais de semana, dois dias em que ele brinca de ser pai em tempo integral. Como estão as duas finanças, Camila? Você precisa arrumar o seu quarto. E uma coisa que não vai nunca, nunca mesmo entrar na minha cabeça: Não ande descalça para não ficar doente. Por conta desta frase escutada incontáveis vezes, eu já bolei toda uma teoria mental de como é importante para mim andar com os pés no chão, receber a energia do solo e sentir (mesmo que de meia) aonde eu estou pisando.

Cerca de cinco anos atrás compramos um sítio no interior de Minas Gerais. Todas as vezes em que ele pega eu ou o meu irmão planejando viagens para a praia (ou para a lua) ele nos diz: Gente, Gonçalves já está lá, custou dinheiro, vamos fazer valer e aproveitar cada pedacinho.

Foi apenas ontem a noite que finalmente caiu a ficha em mim e entendi da pior maneira possível, sentindo na pele, o que meu pai queria dizer. O sonho de morar sozinha e ter o meu canto lindamente decorado com a minha cara se mostrou uma realidade um pouco mais distante quando eu comparei o custo de aluguel com o valor do meu salário. O resultado é o dinheiro acabando mais cedo do que o mês com muita frequencia.

Ontem a noite fui ao shoping comprar um sofá, como estava muito caro comecei a olhar uma poltrona. Ainda sim o valor estava alto demais. Resolvi que iria apenas arrumar o cabelo. O que?? Quatrocentos reais para fazer uma hidratação de queratina? Paguei o estacionamento do shoping e fui pra casa fazer valer o valor do aluguel. Pelo menos esse já estava pago, e eu precisava. Assim como meu pai ensinou.

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Ps.: Eu e meu irmão ainda esperamos pacientemente pelo momento em que o “aguarde quando vocês forem pais vocês vão entender” irá fazer sentido em nossas vidas.

A vez do pavão

28 jun

Por Walcyr Carrasco
Texto extraído de: http://vejasp.abril.com.br/noticias/a-vez-do-pavao

Muito se fala em perua. Pouco em pavão. Já encontrei feministas rebeladas contra o termo destinado às mulheres que trocaram a luta pelos direitos por um lugar no cabeleireiro, e a discussão sobre o uso de sutiãs por tratamentos de celulite. Entretanto, ninguém faz piada, e muito menos novela, com o pavão, a contrapartida masculina da perua. Não que eu seja um. Os anos escorrem sobre minha barriga. Além do mais, o pavão tem dinheiro. Pelo menos o suficiente para as academias de musculação. Ou o aluguel da quadra de tênis. Ou para se trancar num spa, se nada der certo. Se tem banhas, estão escondida sob um bem cortado paletó. (Uma vantagem sobre os pavões cariocas, que competem com os surfistas.) Fala manso, educado. Não usa aliança, de preferência. Também não é um mauricinho, preocupado apenas em parecer bem. O pavão abre a cauda, exagera, enquanto as peruas e outras aves canoras se agitam em torno. O pavão já nasce um, e tem talento para superar vicissitudes. O Washington Olivetto é assim. Trocou o perfil atlético pelas gravatas, e funciona. O Rodolfo Gamberini é outro: vence pelas olheiras.

Outro dia, tentei bancar o pavão. Fui ao Esplanada Grill na hora do almoço. É, como se sabe, o viveiro maior dos pavões paulistanos. Mas até o manobrista percebeu que eu não era um: pela caneta Bic pendurada na camisa. E pelo meu rodopiar na porta giratória.

Decidir tomar algumas lições. Afinal, se não estou mais na idade de me transformar num ás do jet-ski, pelo menos posso me pavonear um pouco. Ou não? Procurei um amigo, desses que nem precisam abrir a cauda para as peruas enlouquecerem.

— Encolha a barriga — aconselhou
— Não quer ser sexy?
— Sexy sim, mas não infeliz.

Recebi alguns ensinamentos. Pavões fingem não se interessar por peruas, mas por gatinhas. As peruas, açoitadas por paixões selvagens, se atiram sobre eles. Ou, pelo menos, enviam torpedos com o telefone. Eles bebem uísque, elas vodca. Gostam de cozinhar. Na verdade, fazem da culinária um chamariz.

— Mas e eu, que não sei fritar um ovo?
— Você é um ser anacrônico, um pterodáctilo.

Eu, um pterodáctilo? Pavão fala de cristais e da alta na bolsa. Conhece mais etiquetas de moda do que as próprias peruas. Gosta de fazer as unhas dos pés. Tem cabelos curtos, às vezes adornado por um tom grisalho. Foi a Nova York o ano passado. Faz compras em Miami. Em geral, são especializados em massas. Dedicam boa parte do tempo livre aos segredos do funghi seco e às artimanhas da Nova Era.

— Mas o que eu faço com esta pirâmide?
— Ponha no seu escritório. Sempre é bom para começar uma conversa. E dá boas vibrações.

Continuei com a lição, lúgubre. A lista dos complementos indispensáveis incluía um micro, em local visível, um mocassim, desses com franja de couro no topo, certo conhecimento de vinhos e…

— Pare com essa mania de coçar a orelha.

Retirei o dedo, humildemente. Meu amigo continuou com os conselhos:

— Quando andar, ponha o peito para a frente. A cabeça alta. Perca a mania de dobrar a barra da calça e nunca mais conte a ninguém que usa pivô.

Suspirei. Chegara a hora de exercitar meu charme inabalável, numa happy hour. Tentei andar com o peito estufado, quase entortei a coluna meu amigo não notou, estava entrando no viveiro, quer dizer, no bar, com a cauda exposta. Ouviram-se os inevitáveis gorgolejos: “Como vai? Há quanto tempo”.

Generosamente, ele virou-se em minha direção, disposto a me incluir no seleto círculo de peruas, muitas delas flamejantes executivas com pulseiras de ouro e sardas no colo dos seios. Não me achou. Fiquei num canto, crocitando, com uma bebida dietética. Pode haver algo menos sexy do que refrigerante dietético?

Voltei para casa, pensativo. Nunca chegarei a pavão. No máximo a um franguinho carijó, ou a um pombo gordo, o que é pior. Mas não trem importância. Um dia desses termina o reinado de peruas e pavões e chega a vez de gente como nós, simples mortais.

INSISTA

14 jun

Por Natalia Biteli

Um dos textos mais fantásticos que li nestes últimos tempos, de um escritor gaúcho chamado Fabrício Carpinejar, recomendação de um grande amigo meu…INSISTA e leia até o final.

Sempre insista. Fale mais do que seja possível pensar. Insista.
Temos que ter a capacidade de superar as resistências.
Toda primeira conversa enfrentará uma série de inconvenientes. Mas insista.
Não recue com a gafe, com o estardalhaço, com a vergonha. Siga adiante.
Comece a rir sozinha. Rir é receber a pergunta: o que você está rindo? Rir é ser perguntado.
Não há motivo para rir, rir é se abraçar. Minha risada é meu gemido público.
Acordar me deixa excitado.
Talvez aquela amiga não queira namorá-lo para não estragar a amizade.
Portanto, diga: quero hoje estragar nossa amizade. Estragar de jeito.
Arruinar nossa amizade. Corromper nossa amizade.
Estrague fundo, o amor pode estar recolhido nela.
Mas não aceite tão rápido o que ela não acredita. É disfarce, vivemos disfarçados de normalzinho, de ponderado, de retraído, porque a verdade quando surge faz atitudes impensadas,
como comer algodão-doce nesta terça-feira diante de uma escola de normalistas.
Que saudades de acenar para uma freira dirigindo um fusca.
Deus é uma freira dirigindo um fusca. Tenho saudades de me exibir cortando laranjas.
As tiras simétricas, os cabelos loiros da laranjeira.
Tenho saudade de passear com a minha laranjeira.
Não se explique, insista.
Eu não vou ficar esperando alguém me salvar. Eu mesmo me salvo.
Eu mesmo me arrumo para a loucura.
Insista. O apaixonado cria sua boca. Cria sua boca para cada boca.
Caso tenha prometido ir atrás dele, vá.
Telefone, ainda que atrasada dois anos da promessa.
Volte atrás, não queira pensar com os olhos, a boca são olhos mais atentos.
Não se intimide ao encontrar seu homem no momento errado. É sempre o momento errado.
Seja o momento errado da vida dele. Mas seja parte da vida dele.
Seja o erro mais contundente da vida dele. Seja a vida do seu erro, para ele errar mais seguido.
Talvez aquele amigo não converse para manter a aparência de misterioso.
Talvez ele nem saiba conversar, seja incompetente. Insista.
Uma hora ele vai tomar um porre do seu silêncio, sentar no meio-fio e falar aramaico.
Todo homem guardado uma hora fala aramaico.
Insista, esteja perto para o sermão dos pássaros no viaduto.
A vida mete medo quando ela não é formalidade,
não temos como nos defender do que parte dos dentes.
Tenha um medo assombroso da vida, que é mais justo,
deixe a morte com ciúme e inveja, deixe a morte sem dançar.
Não fique articulando frases inteligentes, comoventes, certas. Insista.
Sei o valor de uma fantasia, mas insista.
Tropeçar ainda é andar, pedir desculpa ainda é avançar, concentre-se na dispersão.
Ninguém quer falar com ninguém. Mas insista.
Na sala do dentista, no trem, no ônibus, no elevador. Insista.
O que mais precisamos é estranheza para reencontrar a intimidade.
Não há nada íntimo que não tenha sido estranho um dia.
Seja estranho com o ascensorista, com o porteiro do prédio, com a colega.
Declare-se apaixonado antecipadamente. Depois encontre um jeito de pagar.
Ame por empréstimo.
Ame devendo.
Ame falindo.
Mas não crie arrependimentos por aquilo que não foi feito.
Sejamos mais reais em nossas dores.
Tudo o que não aconteceu é perfeito.
Dê chance para a imperfeição. Insista.
Estou cansado de me defender – sou só ataque.
Insisto.

(Fabrício Carpinejar)

Esse filme de novo?

1 jun

Por Natalia Biteli

Não sei quanto a vocês, mas quando eu gosto muito de um filme não consigo ver uma vez só. Desde pequena quando minha mãe me levava à locadora era sempre o mesmo filme: DUMBO. Podiam ter mil e um lançamentos, mas a minha opção era sempre a mesma, o filme do elefantinho que ficava na estante da esquerda onde meus curtos bracinhos conseguiam alcançar. Tentavam e tentavam me empurrar outros filmes, mas eu fazia questão de ver e rever o que eu considero hoje uma das piores histórias da Disney.

Com certeza devo ter puxado isso de alguém. Imagino que seja do meu pai, pois nunca conheci alguém que assistiu TITANIC tantas vezes na vida. Não entendo e nunca entendi o porquê de tanto amor pela história (de 3 horas e meia) do navio que afunda. Sério, toda vez que a TV insiste em transmitir esse looooooooonga metragem lá está o meu velho no sofá. E quem sou eu para julgá-lo? Tantas pessoas devem ter essa mesma paixão que resolveram dar uma segunda chance à linda história de Jack e Rose nas telonas e em versão 3D. Eu já não tive a mesma sorte com o Dumbo.

E a minha irmã então, pode ser a história dos vampiros 1, 2, 3 ou 700 que lá está ela assistindo, mesmo que seja só para ficar como som ambiente enquanto faz outras coisas. A sorte dela (e azar nosso) é que sempre tem um Telecine disponível para passar a história “magnífica” de Edward e Bella. E pode ter certeza que tem sempre alguém assistindo.

Quando a história é boa, quem não fica acordado até de madrugada para ver aquele finalzinho emocionante que você já sabe de cor e salteado? Se essas pessoas não existissem, a Globo talvez optasse por outro sucesso dos cinemas ao invés de “A Busca Implacável” pela centésima vez em 2012, que aliás eu devo ter visto todas.

Filme repetido é escolha fácil e satisfação garantida. É só sentar a bunda no sofá e aproveitar as 2 horinhas mais previsíveis do mundo. Você já conhece os personagens, o enredo e já tem certeza de como a história termina….tem preguiça melhor?

Mulheres inteligentes, homens babacas!

29 mai

Por Adrianna Rocha

Homens e mulheres,

Tomei a liberdade de pegar emprestado um texto pois é ótimo! Leiam com muita atenção… Eles, para finalmente aceitarem que somos bem mais inteligentes do que realmente acham… Elas, só para confirmarem o que já sabem!

Toda mulher que se preze já se apaixonou por um babaca. A história é quase sempre a mesma, o final também. A gente conhece um cara, ele se mostra doce, maravilhoso e bem resolvido. A gente – encantada – guarda a intuição no fundo da gaveta, veste o melhor decote (e o melhor sorriso) e sai linda, leve e solta para mais um capítulo cheio de frases mal contadas, celular desligado e eventuais sumiços. Verdade seja dita: a gente sente que tem alguma coisa errada, mas acaba fazendo vista grossa. E acha que está sensível demais, exigente demais, desconfiada demais. E deixa rolar. O resultado? O cara te enrola, te pede desculpas. Depois vacila de novo e te enche de presentes. Meninas, estou escrevendo este texto para eu mesma decorar. Imprimir. E nunca mais esquecer. A gente não pode sair por aí perdendo nosso tempo com esses babacas. Chega de desculpar tanto, de tampar o sol com a peneira. Quando um cara REALMENTE está afim de você, ele vai até o inferno por você. Essa verdade ninguém me tira. Não tem trabalho, família, futebol, amigos, crise existencial, nem celular sem bateria que façam com que ele – caso tenha educação e a mínima consideração – não tenha tempo de dizer um simples “oi”. Isso não é pedir muito, concorda? O cara não precisa dar satisfação a toda hora, te ligar várias vezes por dia, isso é chato e acaba com qualquer romance. O que eu quero dizer é que mulher precisa de carinho. Atenção. E uma sacanagem bem-dosada. Se o sujeito vive brincando de esconde-esconde, não responde lindamente suas mensagens, não te chama pra sair com os amigos dele e nem tenta te agarrar quando você diz que está com uma lingerie de matar por debaixo da roupa, minha amiga, o negócio está feio. Muito feio. Confesso que não é tarefa fácil colocar um ponto final de uma hora pra outra nessas histórias. Somos seres românticos, abduzidos pelos finais felizes dos filmes e livros. A gente sempre acha que alguma coisa vai mudar, que ele vai perceber TUDO o que está perdendo e vai aparecer com flores na porta da nossa casa. Mas a realidade é diferente. Não somos a Julia Roberts, não estamos numa comédia romântica e, na vida real, homens são simples e previsíveis. Quando eles querem uma coisa, não há nada – nem ninguém – que os impeça. Portanto, anotem aí: quando um cara está afim de você, ele vai te ligar, ele vai te procurar, ele vai te beijar, ele vai querer estar sempre com as mãos em cima de você. Não sou radical, apenas cansei de dar desculpas pra erros que não são meus. Ou são. Afinal um cara babaca sempre dá pistas de que é babaca. Só não enxerga, quem não quer. (Fernanda Mello)
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