Por Natalia Biteli
“O ser humano tem medo da solidão”
“Quando você namora você precisa dar muita explicação. Vai sair e tem que avisar. Você arranja uma segunda mãe”
Foram essas as duas frases que ouvi hoje antes de encerrar o meu dia, e que acabaram tornando a minha noite mais turbulenta do que eu estava imaginando que seria. Fiquei encucada não só por internamente discordar dessa visão, mas por lembrar que frases como essas já saíram da minha boca mais de uma vez.
Atire a primeira pedra quem nunca terminou um namoro e sentiu AQUELE alívio… alívio de não precisar mais dar satisfação a ninguém, de poder ir aonde quiser e com quem quiser, de poder encontrar os amigos em pleno sábado a noite e sem peso na consciência, de ir a uma balada só porque teve vontade de ir, de emendar um happy hour depois do expediente sem precisar avisar ninguém, de comer pizza no dia “sagrado” do temaki…etc etc etc.
Concordem ou discordem de mim, mas a rotina a dois só perde a competitividade com o “sexo, drogas e rock and roll” quando o amor não existe mais lá. E no início tudo é farra, tudo é alegria, cada brinde é eterno e cada encontro com os amigos é motivo para salientar o quanto você está bem agora. Até que o grito de liberdade se torna tão repetitivo que acaba perdendo a graça e te trazendo de volta ao mundo onde o que reina é o “impossível ser feliz sozinho”.
Na vida todos temos nossos altos e baixos, assim como todo relacionamento tem seus altos e baixos. E ninguém decide ficar sozinho quando está no pico da felicidade. Precisa ter algum drama, algum estresse, algum sinal de queda ou inconsistência para querer terminar algo que antes estava bom.
Não culpo as pessoas de pensarem que o ser humano tem medo da solidão, porque realmente acho amedrontador não ter alguém para compartilhar as coisas, dizer como foi o seu dia (por pior que tenha sido), para dar “bom dia” e “boa noite” e, não sendo uma perseguição doentia, ter alguém preocupado com você e querendo saber onde você está.
Os únicos vilões desse “paraíso” são o ciúmes e a insegurança, que tornam o ambiente tão irritante como uma mãe neurótica. Mas basta controlá-los ou eliminá-los à força.
E no final todo mundo acaba concordando que melhor do que viver sozinho é ter alguém que te cubra quando você está com frio, te faça um chá quente quando você está gripado, te abrace enquanto você chora…e não só nas horas ruins, que também te faça manter o sorriso no rosto por ter certeza do quanto você tem valor.
Então, caros amigos, eu termino o meu dia me sentindo muito bem, pois meus primeiros cabelos brancos hoje me ajudam a enxergar que estar com alguém não é abdicar da sua própria vida e muito menos da sua liberdade, mas, sim, é estender a mão para alguém que possa te acrescentar.















