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Eu queria…

9 out

Por Adrianna Rocha

Queria ajudar os outros.
Queria ser mais extrovertida.
Queria ter força de vontade pra ir a academia no mínimo 4x por semana.
Queria um Brasil mais justo.
Queria ter uma medalha olímpica.
Queria saber dançar.
Queria uma família Doriana.
Queria todos os meus amigos ao meu lado o tempo inteiro.
Queria adotar uma criança.
Queria uma foto com o Djokovic.
Queria escalar o Cristo redentor.
Queria abrir um restaurante.
Queria ser menos brava.
Queria pisar na lua e ver a Terra por um outro ângulo.
Queria ter um pingüim de estimação.
Queria acabar com a fome e a miséria do mundo.
Queria não brigar com ninguém.
Queria falar italiano.
Queria ter cabelos lisos.
Queria abrir uma ONG.
Queria passar a mão em um tigre.
Queria abraçar minha avó todos os dias.
Queria ao meu lado os amigos que moram longe.
Queria ser menos desconfiada.
Queria ser perdoada de todos os meus erros.
Queria aprender windsurf.
Queria andar de barco ao estilo Titanic.
Queria um nariz pequeno.
Queria chegar no topo do everest.
Queria andar de balão.
Queria que o câncer não existisse.
Queria ouvir o John Mayer cantar ao vivo.
Queria saber cantar.
Queria ter tido mais tempo ao lado do meu avô.
Queria subir em um elefante.
Queria pedir perdão.
Queria conquistar todos os meus sonhos.
Porque afinal, quem nunca quis nada?

Roda de amigos: um novo significado

2 set

Por Natalia Biteli

“Bom dia!”

“Bom dia! Gostaria de fazer o check-in

“Foi feito em nome de quem?”

“No meu, Natalia”

“Ok Natalia, seu quarto já está pronto, blábláblá cartão de acesso, blábláblá segundo andar, blábláblá quarto nº 22, blábláblá café da manhã, blábláblá horário de funcionamento, blábláblá mapa da cidade, blábláblá serviço de quarto, (tchan tchan tchan tchannn), SENHA DO WI FI: ANOTE AÍ”

Nos últimos 20 dias passei em 5 países diferentes, com línguas e costumes completamente distintos, apesar da moeda única. Com a cãmera na mão e o celular no bolso eu estava pronta para o mundo. Do lado de fora, paisagens e monumentos magníficos, de realmente tirar o fôlego. Do lado de dentro, seres extraterrestres em seus universos paralelos, onde a comunicação verbal não era permitida ou socialmente aceita, com sorrisos e risadas tímidas para as máquinas piscantes em suas mãos.

“Boa tarde, já sabem o que vão pedir?”

“Sim. Serão 3 cervejas, 2 águas e uma porção de batata frita”

“Ok, volto já.”

“Espere, TEM WI FI?”

Em todo lugar a mesma pergunta.

E engraçado é pensar que mesmo estando frente a frente com outra pessoa, compartilhando a mesma mesa, a conversa com o “extraterrestre” do outro lado parecia sempre estar mais interessante.

Percorri quilômetros, atravessei fronteiras, vivi o inesquecível, mas a tal pergunta me perseguiu por todos os cantos.

Então concluo:

Não importa se você está falando inglês, alemão, francês, espanhol ou português, fale “WI FI” que você será compreendido.

Oi Oi Oi…

2 ago

Por Adrianna Rocha

Oi? Oi? Oi?
Realmente o mundo está ao contrário e ninguém me contou!
Parece jogo de copa do mundo! A cidade para! As ruas ficam vazias, as pessoas se reúnem em frente a televisão e ficam vidradas no duelo NinaRita x Carminha.
Quem será que fará a pior maldade do dia e sairá vitoriosa?
E essa é a única duvida da população brasileira. Confesso que até poucos dias atrás era a minha também!
Perdi vários capítulos do duelo do Kuduro, mas mesmo assim continuo antenada. Me serve sua vadia, limpa o chão, lava os lençóis, blá blá blá… Mas agora o querido Tufão voltou, o que será que vai acontecer hein!?
Paralelamente a todo esse ibope, esta acontecendo os jogos olímpicos!
Oi? Oi? Oi?
Alguém aí já ouviu falar disso?
Estou indignada com a falta de patriotismo do povo brasileiro! Ok, confesso que a transmissão da rede Record não é lá aquela maravilha, que muitas pessoas não têm acesso aos canais pagos da televisão e por ai vai, mas a falta de reconhecimento para com os atletas que carregam o nome do Brasil no peito (nas costas!) me parece grande demais.
Tudo bem, para você que pergunta:
- Mas a delegação brasileira está pior que nas olimpíadas passadas.
Minha resposta é sim, está. Porém, te devolvo uma outra pergunta:
- Por que os atletas brasileiros são os únicos que não evoluem na maioria dos esportes?
Exemplo claro: nosso próprio futebol, tão amado e conhecido. Estamos lutando pela medalha olímpica a tempos e cade ela? Nada! (Mas quem sabe esse ano né!) mas sabem o motivo de tudo isso? Os demais países evoluíram seu jogo, cresceram, buscaram estratégias novas, investiram em seus atletas e em infra estrutura adequada. Enquanto nós aqui, estávamos preocupados apenas com fama, dinheiro…
E se esporte pra você não significa nada, tudo bem. Expresso minha dose diária de revolta com outro exemplo: quase 80 dias de greve nas faculdades federais do Brasil. Sabem qual o assunto de pauta? A traição de uma mera mortal ao seu casal vampirinho na vida real. OMG!
Ninguém merece!
E pensar que toda essa indignação surgiu da minha própria profissão. Compartilho com vocês a desilusão de ler um edital de concurso público (lê-se CONCURSO PÚBLICO) do Hospital das Clínicas de São Paulo, e encontrar o maravilhoso salário de R$ 1.168,00 por mês (novamente pra quem ainda está rindo da minha cara: R$ 1.168,00)
Tinha duas opções: me jogar da janela do 22 andar ou ficar revoltada por algumas horas.
Grata pela compreensão.
Até o próximo texto!

O NÃO de ontem é o SIM de hoje?

24 jul

Por Natália Biteli

Não é novidade nenhuma que as pessoas, principalmente os jovens, estão sempre mudando de opinião.

O “estilosovira “brega” antes de o verão virar inverno…

O peixe cru que antes você nem chegava perto é hoje seu cardápio preferido…

A música do momento vira zumbido aos ouvidos conforme a idade chega…

Eu mesma sempre disse que seria veterinária, tinha todas as raças de cachorro em formato de pelúcia e, cá estou, no mercado financeiro.

Porém, com exceção dos exemplos acima, que considero mudanças SIMPLES de opinião, existem outras mais complexas e que batem de frente com aquele negócio chamado personalidade.

Não é fácil…

Mas mudar de opinião não é um ato de rebeldia, simplesmente nossa cabeça muda quando nossos pensamentos são cíclicos, ou amadurecemos e nos agarramos a novas crenças, como as de nossos pais que antes condenávamos com tanta força.

Outros fatores como mudança de ambiente e peso maior da conta bancária também geram mudanças de opinião. Aquela bolsa que antes era um sonho de consumo de repente torna-se acessível e perde a graça; aquela balada que antes você precisava ser “filho de alguém” ou “amigo de alguém” já não amedronta mais sua autoestima. Ou você resolve que nada disso mais importa e decide viver na simplicidade, pois caminhar contra o óbvio é mais interessante.

Se me perguntassem o que eu achava da Rua Augusta há cinco anos, termos como “eca” e “aff” fariam parte da minha resposta, pois na época o normal era eu entrar em uma balada e ser analisada da cabeça aos pés, como se precisasse do aval feminino para me divertir ou virar as costas e voltar para casa. O ambiente e o contexto que eu vivia eram outros.

Hoje: Rua Augusta? É a rua mais “cool” de São Paulo, onde as pessoas são livres para serem elas mesmas: branco ou negro, homossexual ou heterossexual, mendigo ou milionário, freira ou “mulher da noite”, punk ou fashionista, não importa. Todo mundo é igual, todo mundo pega a mesma fila. Desenhos na parede são chamados de arte; máquinas esferográficas dão os melhores clicks; cachorro quente e pizza são 24 horas; azul com laranja combina SIM; o bêbado e o equilibrista dividem a mesma calçada, sem preconceitos.

Hoje a minha opinião é essa…

Se vou mudar, só o tempo dirá…

E como meu querido Woddy Allen coloca: “Só as mentes mais brilhantes são capazes de mudar de opinião, pois você precisa contrapor a si mesmo”.

Carta para meu pai

21 jul

Pai,

 Olha só o que eu fui buscar hoje. Pegar esse diploma na mão me fez lembrar de algo que, na correria do dia a dia, eu acabo esquecendo: sou Engenheira!Acho que ninguém faz ideia do que isso significa para mim, exceto eu e você!
Passando hoje na Mauá, algumas memórias dos sete antitéticos anos me vieram a tona, e logo um filme com a tela dividia ao meio se formou em minha mente. De um lado da tela estou eu estudando, correndo, pedindo carona, chegando atrasada, um livro de Cálculo de 1,5kg no ombro mas muitos sorrisos e risadas. Paralelamente está você trabalhando, correndo, ganhando pedidos, brigando com fornecedores, atendendo clientes, acordando de madrugada mas sempre com determinação nos olhos.
Perdemos o vovô, ganhamos o Pedrão, nos adaptamos a um novo bairro e com tudo aquilo que passamos, algo que só nós sabemos, você não deixou de acreditar em mim, meus estudos continuaram uma prioridade.
Foi você quem, sabiamente, me encaminhou à essa carreira, quando eu nem tinha idéia por onde começar. Foi você quem apostou muitas e muitas fichas…quero dizer cifras, para que eu pudesse chegar lá. Quando eu estava a um passo de levantar a bandeira branca você não permitiu, você transferiu a mim a esperança que tinha e me deu mais uma chance…um voto de confiança que na época nem eu mesma me daria! Claro, para você eu não poderia mostrar fraqueza, não poderia nem cogitar jogar a toalha mas no fundo eu não me achava digna desse título que , no meu ver, é tão honroso.
Pai, você me deu nome, sobrenome, estrutura e a oportunidade de ter um título o qual estará atrelado a mim para o resto da vida! Todo o esforço que eu fiz para consegui-lo sei que você fez em dobro. Por isso esse diploma é nosso! Eu nunca teria conseguido sem você!
Muito obrigada!
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