Arquivos | Luciana RSS feed for this section

Carta para meu pai

21 jul

Pai,

 Olha só o que eu fui buscar hoje. Pegar esse diploma na mão me fez lembrar de algo que, na correria do dia a dia, eu acabo esquecendo: sou Engenheira!Acho que ninguém faz ideia do que isso significa para mim, exceto eu e você!
Passando hoje na Mauá, algumas memórias dos sete antitéticos anos me vieram a tona, e logo um filme com a tela dividia ao meio se formou em minha mente. De um lado da tela estou eu estudando, correndo, pedindo carona, chegando atrasada, um livro de Cálculo de 1,5kg no ombro mas muitos sorrisos e risadas. Paralelamente está você trabalhando, correndo, ganhando pedidos, brigando com fornecedores, atendendo clientes, acordando de madrugada mas sempre com determinação nos olhos.
Perdemos o vovô, ganhamos o Pedrão, nos adaptamos a um novo bairro e com tudo aquilo que passamos, algo que só nós sabemos, você não deixou de acreditar em mim, meus estudos continuaram uma prioridade.
Foi você quem, sabiamente, me encaminhou à essa carreira, quando eu nem tinha idéia por onde começar. Foi você quem apostou muitas e muitas fichas…quero dizer cifras, para que eu pudesse chegar lá. Quando eu estava a um passo de levantar a bandeira branca você não permitiu, você transferiu a mim a esperança que tinha e me deu mais uma chance…um voto de confiança que na época nem eu mesma me daria! Claro, para você eu não poderia mostrar fraqueza, não poderia nem cogitar jogar a toalha mas no fundo eu não me achava digna desse título que , no meu ver, é tão honroso.
Pai, você me deu nome, sobrenome, estrutura e a oportunidade de ter um título o qual estará atrelado a mim para o resto da vida! Todo o esforço que eu fiz para consegui-lo sei que você fez em dobro. Por isso esse diploma é nosso! Eu nunca teria conseguido sem você!
Muito obrigada!

Pirei em Buda…sambei em Peste

30 nov

Por Luciana Barcha

Chain Bridge

Perdida entre mapas e guias, desenhando o roteiro da minha tão sonhada e almejada *eurotrip*, lembrei-me do filme baseado na obra de Chico: Budapeste! Me empolguei! Resolvi sair do óbvio (que mesmo óbvio é encantador- tudo que vi na Europa me deixou maravilhada!) e dar um pulinho no leste europeu.

-Alô, mãe???

-Filha! Que saudades! Onde vc está agora?

-Em Budapeste, mãezinha…na Hungria!

-Ai que legal filha! Epa..não é aí que eles falam a língua do demônio?

-Quê???

Escuto meu irmão ao fundo:

- hahahaha Não fala essas coisas pra menina, mãe. Ela é toda encanada…vai querer ir embora do lugar!

             Depois de termos dado sinal de vida aos preocupados e curiosos pais, saímos ansiosos pelas ruas da cidade.

Apesar de estarmos hospedados em Peste¹, decidimos começar por Buda! Fomos seguindo a margem do rio Danúbio até encontrar a Chain Bridge, que nos daria acesso ao Castle Hill². É impossível descrever a grandiosidade e a imponência dessa ponte! A atravessamos calmamente e entre clicks e suspiros, tudo o que eu conseguia dizer era: uau!

Já no Castle Hill, localizado a alguns metros acima da cidade- nem preciso citar a maravilhosa vista que inclui o majestoso Parlamento (em Peste) – me encantei com o colorido das Igrejas e com a delicadeza do monumento aos pescadores…me perdi pelos boulevards e pirei na arquitetura do palácio. Diga-se de passagem que assistir ao pôr do sol nesse local é algo incrível.

Depois de um longo dia de descobertas retornamos ao albergue: um banho e um anseio! Porque não uma baladinha hoje? Bora? Fechou! O atendente do albergue nos deu algumas dicas de dance clubs (e não night clubs – sim cometemos esse ridículo erro e fomos zuados em húngaro!!!) em Peste mesmo, para que pudéssemos ir a pé.

Mochileiros que somos  nos tornamos, caminhamos pelas ruas seguindo o mapa rabiscado pelo amigo do albergue e em pouco tempo nos deparamos com Szimpla – um dos lugares bem recomendados. (www.szimpla.hu)

Baladinha animadérrima cheia de estrangeiros (dividimos narguile com um pessoal da Tunísia com direito a papo cabeça politizado – qual a chance de se imaginar isso?!), decoração a la botecos alternas da Vila Madalena, som bem peculiar e mistureba… tocava de tudo, T-U-D-O! Acreditem se quiser, lá pelas tantas da madrugada fomos surpreendidos com som de nada mais nada menos que Marcelo D2! Bateu, do nada, um orgulho de ser brasileiro tão forte que cantamos juntos a música do D2 com mais entusiasmo do que cantamos o hino em final de copa do mundo (vamos considerar aqui a copa de 2002, ok? – é pentaaaa!)

E uma cerveja tcheca aqui, um vinho húngaro ali, um rap francês acolá e…opaaa…. “tomar um banho de chuva, um banho de chuva…”. Siiim, Vanessa da Mata rolando solta na balada. Não me agüentei, MPBista que sou, sambei no meio de coelhos e super heróis (era halloween!). Com o “ai ai ai ai” da Vanessa nos ouvidos e umas boas doses na cabeça rodei, dancei, requebrei e com louvor tomei o primeiro porre da minha vida (retardatariamente aos 26 aninhos) no banheiro de uma balada louca em Budapeste, precisamente em Peste!

Sim mãe, é aqui que eles falam a única língua que o demônio respeita… Inclusive ele estava presente numa balada e me levou para o mau caminho: o da bebedeira

1-      Buda e Peste eram duas cidades distintas separadas pelo rio Danúbio, ambas foram unificadas, se tornando Budapeste em 1873.

2-      Castle Hill concentra as mais importantes igrejas, praças,  monumentos, museus e o  palácio de Buda

Szimpla - ótima pedida para uma noite em Budapeste

 
 
Mais meninas viajadas:
 

Sem moralismo, sem arrependimento

6 out

Por Luciana Barcha

Quinta-feira de uma árdua semana de trabalho. Happy Hour pós expediente. Cerveja!

Sexta-feira véspera de fim de semana agitado. Baladinha pra espairecer. Tequila!

Sábado, formatura do melhor amigo. Alegria, animação vai de tudo: Vodka, Sakê, Champa, Whiskey!

Domingo, tarde quente. Tudo que queremos é não assumir o tédio e a depressão em Cia de Silvio Santos e semelhantes. Boteco com os amigos….olha ela aí de novo loira e gelada, eventualmente trocada pela brasileiríssima capirinha.

Álcool: sempre presente nos bons momentos…

Segunda de manhã: primeira noticia no jornal: jovem perde a vida em acidente de carro por estar alcoolizado, responsável pela morte de mais 2 pessoas.

e nos tristes também!

 Álcool é igual a respeito: é bom e todo mundo adora!

Álcool é igual a liberdade: é sempre bom desde que não afete a vida alheia.

Não abro mão de regar qualquer comemoração com um bom destilado… e fico alta e perco a linha as vezes,  porque não? Quero bebemorar muito ainda, sem moralismo e sem preconceitos, desde que ninguém sofra ou pague por quaisquer conseqüências.

Altruísmo e bebida combinam? Acho que ninguém nunca juntou as duas palavras na mesma frase, mas seria bom pensar nesse mix! Vamos ser altruístas, vamos fazer um bem para o próximo: vamos beber sem deixar que ninguém corra risco de vida!

como agir agora?

29 set

Por Luciana Barcha

passeata pelos direitos iguais

Queimamos sutiãs, conquistamos o mercado de trabalho,e chegamos a presidência! A evolução da mulher na sociedade ocidental bem como seu papel dentro de casa mudou muito nos últimos tempos. Apesar de ainda termos salários mais baixos que profissionais do sexo masculino, considerando os mesmos cargos, nós já até assumimos o papel de “homem da casa” em muitos lares. (desculpe o machismo).

Com toda essa reviravolta de deveres e poderes eu agora fico confusa no que diz respeito à etiqueta num relacionamento afetivo (ou não) entre homens e mulheres! O que ficou careta? O que virou de praxe? O que vale e o que não vale mais? Ou será que vale tudo?!Me lembrei de apenas alguns tópicos que ainda dão um nó na minha cabeça:

  • Conta: o homem continua pagando?Eu gosto de rachar mas em quais ocasiões cabe a ele assumir essa responsa?E eu devo pagar? Preciso pagar Não devo pagar nunca?
  • Delicadezas: abrir a porta do carro, puxar a cadeira para a mulher se sentar, trocar o pneu.Ainda fazem isso? Quem faz isso hoje em dia? Só porque pago minhas contas e estudei engenharia que os pequenos gestos foram abolidos?
  • Ligações: no dia seguinte ele deve ligar primeiro? A mulher não pode tomar iniciativa? Ou vamos ficar só na impessoalidade de troca de mensagens?

Alguém me ajuda que agora eu não sei de mais nada!

momento de reflexão patrocinado pelo Drummond

21 set

Meninas, para dar uma quebrada no nosso dia a dia consumista estou postando esse antigo poema do Drummond que não deixa de ser super atual.

EU ETIQUETA

Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome… estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou – vê lá – anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.”

Carlos Drummond de Andrade

%d bloggers like this: