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Craudião

20 jul

Por Álvaro Netto

Me explico, Craudião, ou Ana Claudia para quem não a conhece, era a diarista que trabalhou em casa quando estava na faculdade. Morávamos eu e dois outros caras, também com seus 20 e poucos anos e muita vontade de não fazer nada.

Mas a história não é dos moradores, mas de Craudião.

Ana Claudia começou a trabalhar por indicação de um amigo do Alexandre la em casa. Até hoje questiono o quão amigos eles eram…

- Oi Ana Claudia, tudo bom?

- Tudo bom sim Seu Álvaro, e o senhor?

- Tudo bem.

- Ó Seu Álvaro, to muito feliz em trabalhar com o Senhor viu! Eu gosto de trabalhar com o Gustavo, mas a namorada dele é um pouco chata sabe Seu Álvaro! Ela gosta das coisas sempre no lugar delas. Sabe, eu limpo, e limpo bem, mas quando a gente ta limpando, a gente mexe nas coisas, e não tenho memória de maquina fotográfica pra lembrar onde tudo tava antes de limpar.

- Ok Ana Claudia, deixa eu falar rapidinho que tenho aula!

- Ah, é bom estudar né Seu Álvaro! Eu mesma só fiz até a oitava série. Mas sei ler e escrever viu! Só que queria mesmo era ter terminado o colegial sabe…

- Ana

- Oi… Ah, Pode me chamar de Claudinha viu?!

- Ta bom Claudinha. Seguinte, somos em 3 aqui em casa. 3 homens, logo, o foco principal é lavar a roupa, limpar o banheiro, e a cozinha. Cada um se vira com seu quarto, e a sala, quando der tempo passa uma vassoura, ok?! (Vale lembrar que éramos 3 estudantes, e nosso senso de limpeza do Apê se resumia em ter pelo menos um prato limpo para comermos!)

- Podexa Seu Álvaro! E ó, pode confiar que nunca quebrei um prato!

Verdade, quebrava logo 3 de uma vez!

Ta, justiça seja feita, pratos acho que ela quebrou apenas 2 nos quase 6 meses que trabalhou em casa, mas em compensação, deslocou a porta de um armário, pôs abaixo o cabideiro do guarda-roupas, estraçalhou o lustre da sala, e separou as partes do controle do PS3.

Todos os outros “acidentes” foram perdoados, menos o controle do PS3. Vejam bem, éramos em 3 moleques homens, universitários, morando sozinhos e convenhamos, não estudávamos muito, pois sempre havia algum jogo novo para ser zerado!

Pô, o controle ficava enrolado no fio, dentro da gaveta abaixo da TV. Ela nunca limpou aquela gaveta pois na mudança, quando fomos tirar os Jogos que ninguém gostava, tinha a marca certinha de poeira formando sua moldura. Como carvalhos Claudinha conseguiu quebrar o controle do vídeo-game?

- Se encaixar, a Craudião fica, se não encaixar, precisaremos de uma nova Craudião!

Encaixou

- Se funcionar, Craudião fica, se não funcionar, tchau Craudião!

Funcionou

- Dú, pega lá uma breja e bora jogar uma partidinha de Winning!

E assim Claudinha virou Craudião. E assim também foi criado o critério Craudião de destruição de 0 (prato) a 10 (TV).

Craudião ficou, por 6 meses, destruindo trabalhando em casa 1 vez por semana.

Ah, Ela alcançou o nível 8…

Quando aprendi a dizer “foda-se” pra vida

5 jun

Por Cassiano S.

Nunca gostei de colocar palavrões em textos ou usar o termo “eu”. Me sentia desconfortável em saber que outros iam ter acesso à intimidade dos meus pensamentos. Até que um dia, resolvi dizer foda-se a tudo.

Foda-se meu chefe: pedi demissão, fiquei 6 meses sem fazer nada, sem procurar emprego, só gastando o que tanto guardei, afinal ia casar, precisava ter uma grana e quando vi, tudo deu errado e eu tinha dado um foda-se para minha ex-noiva. Pessoa da melhor qualidade, diga-se de passagem, mas que estava estranha, nem um pouco a fim de mim – em 6 anos muitas promessas podem mudar.

Mas nada que um foda-se bem dado não resolva.

Conheci gente bacana nesse tempo, pessoas pouco preocupadas se está amanhecendo e precisam trabalhar no dia seguinte. Gente que dizia foda-se à semana, ao trânsito, à acordar cedo, à dormir, ou a ir pra cama depois da novela. Inclusive, quando isso começou acontecer, também disse foda-se ao horário nobre da televisão: para quem está sem trabalhar, horário nobre é depois do almoço até a hora de cair na noite.

Fui viajar, passei o reveillon fora, sem perceber tinha dado foda-se a Rio-Santos entupida, a chuva tradicional e às areias fervilhantes (foda-se se essa palavra não existe).

Parei de pensar se iria conseguir pagar minhas contas. Foda-se se o dinheiro acabar. Foda-se se a vida está me dizendo não. Foda-se o mundo inteiro que insiste em girar, a correr, a se apressar, a não tolerar.

Aprendi que economizar água é uma grande besteira. Disse foda-se os ecochatos, afinal a água sempre volta para o solo, que é captada novamente, tratada e tcharannnn está em nossas torneiras outra vez. Aproveitei para ir na contra-mão e dar foda-se aos que acreditam que meu saquinho plástico fode o planeta. Aliás, se em 200 anos – que é o prazo para meu saquinho virar pó – não inventarem uma utilidade para esse saquinho, a ciência terá dado um foda-se para todos.

Hoje sou muito menos preocupado com os caminhos e descaminhos da vida. Aprendi a dar de ombros, a seguir adiante. Me importo menos com que os outros pensam sobre tudo. O que vale de verdade é o que sentimos e não as convenções que tanto atrapalham sorrisos sinceros, boêmios corajosos e dias alegres de verão.

Fiu Fiu o C*****

7 mar

Por Sarah Scardelatto

Oi, meu nome é Sarah e um motoqueiro acaba de cuspir na minha cara.
Por que?
Porque eu não aceitei uma cantada.
Me desculpe, eu estava saindo da faculdade as 22h30, após trabalhar o dia todo, fazer a viagem de ida e volta entre SCS e Jundiaí, usando jeans, camisa larga e tênis, então talvez não estivesse no humor certo pra ouvir um assovio e me sentir a última bolacha do pacote. Me desculpe, mas eu reagi.
Eu mostrei meu dedo médio da mão direita.
O motoqueiro foi embora, e depois voltou pra tirar satisfação. Me chamou de vagabunda e cuspiu em mim.
Me desculpe, devo ser uma histérica, mal comida, algum outro adjetivo que nós, mulheres que não aceitam uma cantada na rua, costumam receber.
Tenho mesmo que ser humilhada em público, na calçada da Escola de Engenharia Mauá, na frente de outras dezenas de pessoas. Tenho que receber uma escarrada no rosto por não ter, passivamente, aceitado o assovio de um estranho qualquer.
Eu sou uma mulher, não tenho o direito de discordar.

Piuf.

Me desculpe, mas eu não aceitarei esse tipo de coisa, mesmo com a ameaça de violência pairando sobre mim. Não pensarei que posso tomar um tiro, uma surra, ter um braço quebrado ou ser morta pelo simples fato que não aceitei uma cantada.
Não sou um pedaço de carne, uma peça em exposição para ter que ouvir qualquer pornografia que se passe na mente de um desconhecido.
Sou uma MULHER, trabalhadora, estudante, filha, irmã, como todas as outras. Me sustento, ajudo quem posso, reciclo meu lixo. Não mereço passar pelo humilhante expediente de ser cantada na rua, por um homem qualquer.
Me defenderei como puder e enquanto puder. Minha dignidade não está aí para ser pisada por um motoqueiro ignorante. Não saio na rua para ser humilhada gratuitamente, só por não ter um pênis entre as pernas. Se passar por um episódio mais grave, farei questão de aparecer o máximo possível, nem que para isso tenha que convocar uma ucraniana de seios nus para fazer alarde comigo na Av. Paulista.

O problema da sociedade é que ensinamos as mulheres ‘não seja estuprada’, ao invés de ensinar para os homens ‘não estupre’.

Sarah Scardelatto

A moda agora é ‘t-shirt’

6 mar

Por Caio Blanco

Faz um tempo, eu ouvi dizer (há quatro anos, três meses e cinco dias) que todo mundo que cresce tem que arranjar uma ocupação com o tempo, ganhar dinheiro e tocar a vida. Eu ando tocando minha vida faz quatro anos, três meses e cinco dias, muito bem, obrigado, tentando não deixar a peteca cair, mostrando com quantos paus se faz uma canoa e uns tantos outros ditados populares. Aqui na Inglaterra não foi diferente: e eu tive que rebolar pro bambolê não cair e arranjar uma ocupação pela contraprestação do vil metal. Nessa esteira, a gentil Natália Biteli cedeu esse espaço (que acompanho há tempos, pois tenho uma compulsão demoníaca por blogs adoroooo o “Noite das Meninas”) para eu fazer uma fita com meu chefe e mostrar que estou trabalhando direitinho. Não julguem o post. Jamais decidiria falar sobre camisetas se tivesse livre arbítrio para tal. Vamos, porém, tentar fazer toda a experiência mais prazerosa, utilizando os eufemismos da falecida (ainda não?) Marta Suplicy (Pra quem não entendeu, eu tô falando do “relaxa e goza” e a Marta ainda tá viva e militante da causa dos viciados em sexo).

Vocês sabiam que os portugueses chamam camiseta de “t-shirt”? Sim, tipo os americanos. Pronto, cabou, era essa a curiosidade, só queria contextualiar que eu aderi a moda e estou aportuguesando meu vocabulário. Pois bem: quem não gosta de t-shirt só pode ser doido da cabeça. As peças são perfeitas para quase todo o tipo de ocasião, clima e humor. Para nós vocês, meninas, o caimento é mais especial: devido às variações de humor bruscas por conta da TPM, ou do período menstrual em si, ou do término do namoro, ou da final do American Idol, ter uma coleção de t-shirts no guarda-roupa pode ser uma solução inteligente e pragmática para estar bem vestida e na moda.

Todo mundo sabe que o que pega hoje é ser hype. A moda patricinha foi-se embora pra Beverly Hills em 2006, quando a Lindsay Lohan começou com o pó e você deixou de frequentar a Happy News. Você nem precisa ser hype, nem precisa entender de Almodóvar de verdade ou gostar de frequentar o MASP pra estar na moda. O que importa mesmo é a aparência (ou você acha que aquela sua amiga que fica tirando foto do Instagram no Ibirapuera tá realmente andando de longboard?). E quer melhor vestuário para sair hype por aí do que uma camiseta t-shirt bacanuda? Melhor ainda se ela for uma t-shirt personalizada! ETA, QUE COISA BOA!

Bora se jogar nas estampas, nos prints, nas frases de efeito! Quer mandar uma indireta pro ex? BORA FAZER CAMISETA!  Quer sair bem na foto quando acompanhar aquele gatinho roqueiro na balada alternativa? BORA FAZER CAMISETA! Quer matar de inveja a amiga falsa? BORA ESTAMPAR A MARCA DA CHANEL NA CAMISETA!

Eu não vou nem dar uma de Coco Chanel aqui e começar a falar da importância social das t-shirts como agentes da igualdade entre homens e mulheres. Mulher moderna, poderosa, hype e que quer ficar bonita sem exagerar no look usa camiseta sem vergonha nenhuma de ser feliz. Seja na academia (aquela que você pagou o semestre e foi duas vezes até agora) ou seja para cair na balada numa noite quente de verão (ai, meus sonhos de uma noite de verão!), as t-shirts chegaram para ficar!

XoXo

Eta que tá todo mundo querendo ser feliz

23 fev

Por convidado especial

Um amigo meu muito querido, Caio Blanco, um garoto prodígio na arte da escrita, recentemente publicou em seu blog (http://minivaca.wordpress.com) um texto sensacional e que vale a pena ser lido.

Por ser fã do “Noite das Meninas”, ele topou em compartilharmos esse texto aqui no blog. Espero que vocês gostem….AND…..só pra constar, ele ADORA um feedback, então sintam-se à vontade para comentar.

Eta que tá todo mundo querendo ser feliz

 

Eu amo o Facebruik. Amo mesmo. Nunca reclamo das gentes que ficam dando”bom dia” e “boa noite” (nem sequer acho os “boas tardes” ruins), nem reclamo das gentes que põem os bichos mortos e as crianças degoladas. Pra mim tá tudo bem, pra mim tá tudo ótimo. Confesso que não gosto muito de compartilhar foto de gente desaparecida, mas é mais uma questão estética do meu mural mesmo.

Mas faz tempo, eu reparei, que todo mundo que eu conheço no Facebook é feliz pra dedéu.  É verdade! Tá todo mundo rico, todo mundo frequentando restaurante bom, todo mundo viajando pro exterior. E esse Carnaval, então? Eta, coisa boa, minhas gentes! Tava todo mundo na folia, na piscina, na praia, na putaqueopariu e o melhor: sem vergonha nenhuma de mostrar pro mundo as fotos do Instagram (mesmo um bando de gente estando fora do peso ideal). Tá aí uma coisa que não me agrada: Instagram. Talvez seja inveja internalizada por eu não ter um Iphone (Sami, conta pra gente como é ter essa maravilha tecnológica!).

Mas a questão não é essa. Eu acho bem é bom que esteja todo mundo feliz. Acho que gente feliz é sinônimo de harmonia interna, de paz e de bom resolvimento.  E eu também consigo entender o porquê essas pessoas gostam de compartilhar as fotos com o mundo: eu num tô aqui, compartilhando as minhas palavras com vcs? Então, dá na mesma.

É que instalou-se no mundo o que eu gosto de chamar de “mal das celebridades”. Todo mundo quer fazer figuração na Caras ou quer seus 15 minutos de fama. Todo mundo quer postar aquela foto que vc tá bonito e receber o elogio, ou ver quantas pessoas vão curtir. Muito natural. Quem não gosta de ter ego massageado, está mentindo para si e para o mundo.  Essa necessidade de compartilhar a vida faz parte hoje da rotina. “Fulano esteve com Beltrano no Restaurante W – HMMM, QUE DELÍCIA DE ALMOÇO” (foto do Instagram do prato). “Ciclano just checked in Aeroporto Internacional – TCHAAAU, BRASIL!” (foto da mala de viagens).  Nosso Facebook virou nossa fonte de fofocas particular. É a maneira humilde, dos pobres mortais, pessoas comuns, de sentirem o gostinho da fama. Porque elas pensam que as pessoas que curtiram a foto e comentaram, de fato se importam com isso. Falta-lhes, porém, a percepção de que as pessoas só estão a fazer isso para receber a contrapartida: comento na sua e você comenta na minha. Essa é a regra de etiqueta virtual.

Aí todos nós somos um pouco famosos, um pouco celebridades, um pouco mais ocos. Mas todos somos felizes: na praia, no restaurante, no hotel, na Europa ou numa casinha de sapê.

Quem lembra de um mundo em que as pessoas simplesmente não sabiam que vc fez uma viagem internacional ao menos que vc tivesse contado? Que absurdo! Mas para eu contar, eu preciso esperar que perguntem, por que dizer, assim, por dizer, pode parecer presunção e metidez.  Poizé. Mesmo assim, a gente não tem vergonha nenhuma de escancarar o que fez numa bela foto no nosso mural. Assim como as cutucadas, o Facebook veio para inverter alguns ensinamentos sociais. Iverter não. Talvez simplesmente dar aval àquilo que todo mundo sempre quis fazer, mas o mundo considerava de mau-gosto ou mal educado.

O Facebook é o passe livre pra vc cutucar o quanto quiser e se promover até o limite. É virtual, não tem problema: é de mentirinha. De novo, parece que subvertemos os mandamentos sociais. Porque, no fundo, no fundo, também sempre desejamos que essa vida real (que é bem diferente das suas fotos felizes no Instagram) fosse de mentirinha.

Beijos,
Caio

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