Arquivos | julho, 2012

O NÃO de ontem é o SIM de hoje?

24 jul

Por Natália Biteli

Não é novidade nenhuma que as pessoas, principalmente os jovens, estão sempre mudando de opinião.

O “estilosovira “brega” antes de o verão virar inverno…

O peixe cru que antes você nem chegava perto é hoje seu cardápio preferido…

A música do momento vira zumbido aos ouvidos conforme a idade chega…

Eu mesma sempre disse que seria veterinária, tinha todas as raças de cachorro em formato de pelúcia e, cá estou, no mercado financeiro.

Porém, com exceção dos exemplos acima, que considero mudanças SIMPLES de opinião, existem outras mais complexas e que batem de frente com aquele negócio chamado personalidade.

Não é fácil…

Mas mudar de opinião não é um ato de rebeldia, simplesmente nossa cabeça muda quando nossos pensamentos são cíclicos, ou amadurecemos e nos agarramos a novas crenças, como as de nossos pais que antes condenávamos com tanta força.

Outros fatores como mudança de ambiente e peso maior da conta bancária também geram mudanças de opinião. Aquela bolsa que antes era um sonho de consumo de repente torna-se acessível e perde a graça; aquela balada que antes você precisava ser “filho de alguém” ou “amigo de alguém” já não amedronta mais sua autoestima. Ou você resolve que nada disso mais importa e decide viver na simplicidade, pois caminhar contra o óbvio é mais interessante.

Se me perguntassem o que eu achava da Rua Augusta há cinco anos, termos como “eca” e “aff” fariam parte da minha resposta, pois na época o normal era eu entrar em uma balada e ser analisada da cabeça aos pés, como se precisasse do aval feminino para me divertir ou virar as costas e voltar para casa. O ambiente e o contexto que eu vivia eram outros.

Hoje: Rua Augusta? É a rua mais “cool” de São Paulo, onde as pessoas são livres para serem elas mesmas: branco ou negro, homossexual ou heterossexual, mendigo ou milionário, freira ou “mulher da noite”, punk ou fashionista, não importa. Todo mundo é igual, todo mundo pega a mesma fila. Desenhos na parede são chamados de arte; máquinas esferográficas dão os melhores clicks; cachorro quente e pizza são 24 horas; azul com laranja combina SIM; o bêbado e o equilibrista dividem a mesma calçada, sem preconceitos.

Hoje a minha opinião é essa…

Se vou mudar, só o tempo dirá…

E como meu querido Woddy Allen coloca: “Só as mentes mais brilhantes são capazes de mudar de opinião, pois você precisa contrapor a si mesmo”.

Carta para meu pai

21 jul

Pai,

 Olha só o que eu fui buscar hoje. Pegar esse diploma na mão me fez lembrar de algo que, na correria do dia a dia, eu acabo esquecendo: sou Engenheira!Acho que ninguém faz ideia do que isso significa para mim, exceto eu e você!
Passando hoje na Mauá, algumas memórias dos sete antitéticos anos me vieram a tona, e logo um filme com a tela dividia ao meio se formou em minha mente. De um lado da tela estou eu estudando, correndo, pedindo carona, chegando atrasada, um livro de Cálculo de 1,5kg no ombro mas muitos sorrisos e risadas. Paralelamente está você trabalhando, correndo, ganhando pedidos, brigando com fornecedores, atendendo clientes, acordando de madrugada mas sempre com determinação nos olhos.
Perdemos o vovô, ganhamos o Pedrão, nos adaptamos a um novo bairro e com tudo aquilo que passamos, algo que só nós sabemos, você não deixou de acreditar em mim, meus estudos continuaram uma prioridade.
Foi você quem, sabiamente, me encaminhou à essa carreira, quando eu nem tinha idéia por onde começar. Foi você quem apostou muitas e muitas fichas…quero dizer cifras, para que eu pudesse chegar lá. Quando eu estava a um passo de levantar a bandeira branca você não permitiu, você transferiu a mim a esperança que tinha e me deu mais uma chance…um voto de confiança que na época nem eu mesma me daria! Claro, para você eu não poderia mostrar fraqueza, não poderia nem cogitar jogar a toalha mas no fundo eu não me achava digna desse título que , no meu ver, é tão honroso.
Pai, você me deu nome, sobrenome, estrutura e a oportunidade de ter um título o qual estará atrelado a mim para o resto da vida! Todo o esforço que eu fiz para consegui-lo sei que você fez em dobro. Por isso esse diploma é nosso! Eu nunca teria conseguido sem você!
Muito obrigada!

Craudião

20 jul

Por Álvaro Netto

Me explico, Craudião, ou Ana Claudia para quem não a conhece, era a diarista que trabalhou em casa quando estava na faculdade. Morávamos eu e dois outros caras, também com seus 20 e poucos anos e muita vontade de não fazer nada.

Mas a história não é dos moradores, mas de Craudião.

Ana Claudia começou a trabalhar por indicação de um amigo do Alexandre la em casa. Até hoje questiono o quão amigos eles eram…

- Oi Ana Claudia, tudo bom?

- Tudo bom sim Seu Álvaro, e o senhor?

- Tudo bem.

- Ó Seu Álvaro, to muito feliz em trabalhar com o Senhor viu! Eu gosto de trabalhar com o Gustavo, mas a namorada dele é um pouco chata sabe Seu Álvaro! Ela gosta das coisas sempre no lugar delas. Sabe, eu limpo, e limpo bem, mas quando a gente ta limpando, a gente mexe nas coisas, e não tenho memória de maquina fotográfica pra lembrar onde tudo tava antes de limpar.

- Ok Ana Claudia, deixa eu falar rapidinho que tenho aula!

- Ah, é bom estudar né Seu Álvaro! Eu mesma só fiz até a oitava série. Mas sei ler e escrever viu! Só que queria mesmo era ter terminado o colegial sabe…

- Ana

- Oi… Ah, Pode me chamar de Claudinha viu?!

- Ta bom Claudinha. Seguinte, somos em 3 aqui em casa. 3 homens, logo, o foco principal é lavar a roupa, limpar o banheiro, e a cozinha. Cada um se vira com seu quarto, e a sala, quando der tempo passa uma vassoura, ok?! (Vale lembrar que éramos 3 estudantes, e nosso senso de limpeza do Apê se resumia em ter pelo menos um prato limpo para comermos!)

- Podexa Seu Álvaro! E ó, pode confiar que nunca quebrei um prato!

Verdade, quebrava logo 3 de uma vez!

Ta, justiça seja feita, pratos acho que ela quebrou apenas 2 nos quase 6 meses que trabalhou em casa, mas em compensação, deslocou a porta de um armário, pôs abaixo o cabideiro do guarda-roupas, estraçalhou o lustre da sala, e separou as partes do controle do PS3.

Todos os outros “acidentes” foram perdoados, menos o controle do PS3. Vejam bem, éramos em 3 moleques homens, universitários, morando sozinhos e convenhamos, não estudávamos muito, pois sempre havia algum jogo novo para ser zerado!

Pô, o controle ficava enrolado no fio, dentro da gaveta abaixo da TV. Ela nunca limpou aquela gaveta pois na mudança, quando fomos tirar os Jogos que ninguém gostava, tinha a marca certinha de poeira formando sua moldura. Como carvalhos Claudinha conseguiu quebrar o controle do vídeo-game?

- Se encaixar, a Craudião fica, se não encaixar, precisaremos de uma nova Craudião!

Encaixou

- Se funcionar, Craudião fica, se não funcionar, tchau Craudião!

Funcionou

- Dú, pega lá uma breja e bora jogar uma partidinha de Winning!

E assim Claudinha virou Craudião. E assim também foi criado o critério Craudião de destruição de 0 (prato) a 10 (TV).

Craudião ficou, por 6 meses, destruindo trabalhando em casa 1 vez por semana.

Ah, Ela alcançou o nível 8…

Green is Good

17 jul

Nada mais cool na cidade do que ser um paulistano metido a saudável.

Isso porque a força que os faz levantar da cama todos os dias é a ambição em se tornar um grande executivo bem sucedido no mercado. E o mercado está cada dia mais competitivo minha gente.

Não basta deter e gerar milhões de dólares ou trabalhar mais de 12 horas diárias. É preciso mostrar uma certa felicidade, um certo equilibrio na vida pessoal e a sensação de que “a minha vida é perfeita, invista seu dinheiro comigo e deixe a sua perfeita também”. Ninguém confiaria em um cara estressado a beira de um ataque de nervos.

Por isso programa de paulistano aos domingos é vestir roupa de atleta e encarar a ciclofaixa. A ideia é uma beleza, muito bem organizada. Pelo menos por um dia temos a oportunidade de esquecer o trânsito dentro dos carros e encará-lo nas bicicletas. Porque sim, programa de paulistano que se preste tem que ter engarrafamento.

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Meus 25 anos

5 jul

Por Natalia B.

Em 25 anos de vida, já fui medalhista em um campeonato Pan Americano, deixando cubanas e americanas com lágrimas de frustração. Cantei o hino nacional no lugar mais alto do pódio com uma bandeira do Brasil em meus braços. Ganhei um beijo na testa do Rei Roberto Carlos. Freqüentei os corredores da escola dos grandes gênios Bill Gates e Mark Zuckerberg. Tomei Guinness em uma roda de irlandeses e fingi ser a melhor bebida do mundo. Conquistei o príncipe encantado da minha infância, dono dos coraçõezinhos dos meus cadernos. Participei de uma guerra de comida em um acampamento de férias. Doei meu guarda-chuva para um idoso durante uma tempestade. Comi crepe em Paris, cookies em Amsterdam e fui dada como criança perdida na Venezuela. Prometi o amor eterno para quatro garotos que não mais existem na minha agenda telefônica. Ouvi o último desejo da vida de uma pessoa especial e não consegui cumpri-lo antes que ela partisse. Fugi com uma mochila nas costas e não consegui atravessar os portões de casa. Ganhei a maior fortuna da minha vida e gastei tudo no mesmo dia. Dei um lance em um leilão de cavalos sem ter uma fazenda. Chorei nas dez incansáveis vezes que assisti ‘Uma Linda Mulher’. Corri atrás do trio elétrico no carnaval de Salvador. Nadei sem roupa no mar. Assisti ao mais lindo pôr do sol no topo de uma montanha. Reclamei a todos que estava velha ao completar 25 anos, mas preciso confessar que aguardo ansiosamente os próximos 25.

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