Por convidado especial
Um amigo meu muito querido, Caio Blanco, um garoto prodígio na arte da escrita, recentemente publicou em seu blog (http://minivaca.wordpress.com) um texto sensacional e que vale a pena ser lido.
Por ser fã do “Noite das Meninas”, ele topou em compartilharmos esse texto aqui no blog. Espero que vocês gostem….AND…..só pra constar, ele ADORA um feedback, então sintam-se à vontade para comentar.
Eta que tá todo mundo querendo ser feliz
Eu amo o Facebruik. Amo mesmo. Nunca reclamo das gentes que ficam dando”bom dia” e “boa noite” (nem sequer acho os “boas tardes” ruins), nem reclamo das gentes que põem os bichos mortos e as crianças degoladas. Pra mim tá tudo bem, pra mim tá tudo ótimo. Confesso que não gosto muito de compartilhar foto de gente desaparecida, mas é mais uma questão estética do meu mural mesmo.
Mas faz tempo, eu reparei, que todo mundo que eu conheço no Facebook é feliz pra dedéu. É verdade! Tá todo mundo rico, todo mundo frequentando restaurante bom, todo mundo viajando pro exterior. E esse Carnaval, então? Eta, coisa boa, minhas gentes! Tava todo mundo na folia, na piscina, na praia, na putaqueopariu e o melhor: sem vergonha nenhuma de mostrar pro mundo as fotos do Instagram (mesmo um bando de gente estando fora do peso ideal). Tá aí uma coisa que não me agrada: Instagram. Talvez seja inveja internalizada por eu não ter um Iphone (Sami, conta pra gente como é ter essa maravilha tecnológica!).
Mas a questão não é essa. Eu acho bem é bom que esteja todo mundo feliz. Acho que gente feliz é sinônimo de harmonia interna, de paz e de bom resolvimento. E eu também consigo entender o porquê essas pessoas gostam de compartilhar as fotos com o mundo: eu num tô aqui, compartilhando as minhas palavras com vcs? Então, dá na mesma.
É que instalou-se no mundo o que eu gosto de chamar de “mal das celebridades”. Todo mundo quer fazer figuração na Caras ou quer seus 15 minutos de fama. Todo mundo quer postar aquela foto que vc tá bonito e receber o elogio, ou ver quantas pessoas vão curtir. Muito natural. Quem não gosta de ter ego massageado, está mentindo para si e para o mundo. Essa necessidade de compartilhar a vida faz parte hoje da rotina. “Fulano esteve com Beltrano no Restaurante W – HMMM, QUE DELÍCIA DE ALMOÇO” (foto do Instagram do prato). “Ciclano just checked in Aeroporto Internacional – TCHAAAU, BRASIL!” (foto da mala de viagens). Nosso Facebook virou nossa fonte de fofocas particular. É a maneira humilde, dos pobres mortais, pessoas comuns, de sentirem o gostinho da fama. Porque elas pensam que as pessoas que curtiram a foto e comentaram, de fato se importam com isso. Falta-lhes, porém, a percepção de que as pessoas só estão a fazer isso para receber a contrapartida: comento na sua e você comenta na minha. Essa é a regra de etiqueta virtual.
Aí todos nós somos um pouco famosos, um pouco celebridades, um pouco mais ocos. Mas todos somos felizes: na praia, no restaurante, no hotel, na Europa ou numa casinha de sapê.
Quem lembra de um mundo em que as pessoas simplesmente não sabiam que vc fez uma viagem internacional ao menos que vc tivesse contado? Que absurdo! Mas para eu contar, eu preciso esperar que perguntem, por que dizer, assim, por dizer, pode parecer presunção e metidez. Poizé. Mesmo assim, a gente não tem vergonha nenhuma de escancarar o que fez numa bela foto no nosso mural. Assim como as cutucadas, o Facebook veio para inverter alguns ensinamentos sociais. Iverter não. Talvez simplesmente dar aval àquilo que todo mundo sempre quis fazer, mas o mundo considerava de mau-gosto ou mal educado.
O Facebook é o passe livre pra vc cutucar o quanto quiser e se promover até o limite. É virtual, não tem problema: é de mentirinha. De novo, parece que subvertemos os mandamentos sociais. Porque, no fundo, no fundo, também sempre desejamos que essa vida real (que é bem diferente das suas fotos felizes no Instagram) fosse de mentirinha.
Beijos,
Caio













